Ele, junto a a outros dois comparsas, é acusado de matar a pastora
Marcilene Oliveira Sampaio Souza, 38 anos e prima dela Ana Cristina
Sampaio, 36 – também é dono de um perfil violento, agressivo e
conturbado, uma face dupla. Ex-traficante de pedras de crack nos
arredores de Vitória da Conquista. Viu no evangelho uma maneira fácil de
cometer adultério e, ao mesmo tempo, enriquecer em tempo recorde com as
ofertas e desvio de dízimos das centenas de fieis arrebatados pelo dom
da palavra.
“Era o meu fornecedor de pedra (crack) quando eu era viciado”, conta
um estudante, entrevistado por mim nas imediações da Praça Tancredo
Neves, em conversa informal. “Como é que nunca souberam disso? Que ele
era um ganancioso e perigoso”, estranha. Não foi difícil a manobra.
Contando com a ajuda imprescindível da pastora Marcilene e do marido
dela, pastor Carlos Eduardo de Souza, 50 anos, o pastor Edimar
aproveitou-se da sua conversão para se vangloriar das “águas milagrosas”
do batismo.
Figuras respeitadas e bastante
conhecidas na sociedade evangélica e no meio acadêmico, Marcilene e
Eduardo foram atraídos pela astúcia do pastor Edimar. E eles não foram
os únicos. Como numa lavagem cerebral, as suas “ovelhas” acreditavam em
tudo que era pregado por ele nos cultos.
Entre uma pregação e outra, pedidos incansáveis de mais e mais
ofertas. Não era difícil encher os cofres da igreja. Ou melhor, os
bolsos do pastor Edimar. Apaixonado por carros, motos e imóveis, viu
multiplicar os seus bens em Conquista, Itororó, Itapetinga e Potiraguá,
seu reduto secundário. A sede de poder e a paixão pelo dinheiro
aumentavam a cada dia. A pequena igreja teve que ser transferida para
uma área mais ampla. Começavam aí as primeiras dissidências. No centro
delas, o casal de pastores, que não aprovavam a conduta de Edimar.
Com o passar do tempo, a pastora Marcilene conseguiu convencer, indo
de casa em casa dos antigos fieis, que a sua congregação era base
sólida. Segundo apurado, pelo menos 80% das “ovelhas” de Edimar deixaram
o rebanho e foram congregar com o casal de pastores. Foi a gota d’água
para que Edimar passasse a nutrir ódio no coração.
Cinco anos se passaram após o rompimento com o casal, mas o tempo não
diminuiu a raiva que ele sentia pelo casal. Com a ajuda do também
pastor Fabio de Jesus Santos, 34 e de um comparsa, Adriano Silva dos
Santos, de 36 anos, frequentador da igreja, ele finalmente poria fim à
hegemonia do casal rival, resgataria o seu rebanho e voltaria a contar
as centenas e centenas de reais em seu cofre. A morte seria após o culto
do casal, na noite do dia 19 de janeiro.
Entenda o caso
A pastora e professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb)
Marcilene Oliveira Sampaio Souza, 38 anos, e sua prima, Ana Cristina
Santos Sampaio, 37, foram mortas na noite de terça-feira (19), em
Vitória da Conquista. De acordo com a Polícia Civil, o crime aconteceu
por volta das 23 horas, na estrada de acesso a Barra do Choça. O
mandante do crime seria um homem identificado como pastor Edimar Santos
Brito.
Ele foi reconhecido tanto pelo marido da vítima, quanto pelos dois
outros suspeitos de participar do crime. Segundo a polícia, a motivação
do homicídio seria uma vingança porque a Pastora Marcilene estaria
levando muitos fiéis da igreja do pastor Edimar. Segundo informações da
polícia, Marcilene estava acompanhada da prima e do marido, Carlos
Eduardo de Souza, 50, quando teve o veículo abordado por dois homens que
estavam a bordo de um Versa branco. Um dos suspeitos, Fabio de Jesus
Santos, 34, conduziu Carlos ao Versa, onde ele foi espancado várias
vezes sob ameaça de uma arma de fogo. Durante o trajeto, o marido da
professora conseguiu provocar um acidente e fugir.
Vitória da Conquista Notícias
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