Certa vez, escrevi um texto falando sobre a FAVELIZAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DISFARÇADA DE INCLUSÃO SOCIAL.
Lembro que quando o funk apareceu em meados dos anos 1990 teve muita resistência da "sociedade tradicional", até que em um domingo fatídico Caetano Veloso levou um grupo de funk para o Domingão do Faustão e lá ficaram durante uma tarde inteira com aquelas vozes inaudíveis, enquanto eram aplaudidas e bajuladas, me lembro nitidamente da sorriso cínico de Caetano como se ele estivesse falando mentalmente "Eles vão achar bom qualquer merda que eu mostrar, por que sou eu quem está mostrado" e foi justamente isso que aconteceu. No domingo seguinte, estava lá um grupo cantando "rap das armas" (que acabou ressurgindo com o filme Tropa de Elite) no programa da Xuxa, música essa que é um dos hinos do Comando Vermelho, a partir daí, foi só ladeira abaixo, com a popularização da internet as pessoas passaram a ter acesso aos tais funks proibidões, aqueles que têm letras que seriam impróprias para serem exibidas no Domingo Legal ou no Caldeirão do Huck, mas a maioria das musicas que eram exibidas nesses programas não passavam de versões amenizadas das tocadas nos bailes funk.
Quem não ouviu "Só as cachorras, as preparadas, as popozudas..."? Então, veio o golpe final, "É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado" na trilha sonora de O Clone, novela do horário nobre, e então a velha tática da esquerda de vitimização, passaram a acusar aqueles que diziam não gostar de funk de racistas, preconceituosos, que odeia pobre, elitista. Foi o fim.

