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terça-feira, 29 de março de 2016

Jaques Wagner diz que Saída do PMDB chega em boa hora para repactuar governo

O ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jaques Wagner, disse hoje (29) que pelo Palácio do Planalto recebeu com naturalidade a notícia do rompimento do PMDB com o governo. Para o ministro, o anúncio chega em "boa hora" e abre a oportunidade de "repactuar" o governo com outras forças políticas. Segundo ele, ao mesmo tempo em que perde um "parceiro importante", a presidenta Dilma Rousseff já promove conversas no sentido de abrir espaço para novos aliados.

"O governo recebe com naturalidade a decisão interna do PMDB, agradece todo esse tempo de colaboração que tivemos ao longo desses cinco anos e meses com o governo da presidenta Dilma", disse Jaques Wagner.

Nesta terça-feira (29), o Diretório Nacional do PMDB decidiu deixar a base aliada do governo da presidenta Dilma Rousseff e anunciou que os ministros do partido deverão deixar os cargos. Ontem (28), Henrique Eduardo Alves, que ocupava uma das sete pastas do partido no governo, deixou o comando do Ministério do Turismo.

PMDB deixa a base do governo Dilma

PMDB deixa a base do governo Dilma
Por aclamação, o Diretório Nacional do PMDB decidiu hoje (29) deixar a base aliada do governo da presidenta Dilma Rousseff. A decisão foi anunciada pelo senador Romero Jucá (RR), vice-presidente da legenda, que substituiu o presidente nacional do partido, Michel Temer, vice-presidente da República. O PMDB também decidiu que os ministros do partido deverão deixar as pastas, assim como todos os peemedebistas que ocupam cargos de comissão.

Mais de 100, dos 127 integrantes do diretório, compareceram à reunião. A resolução aprovada estabelece a “imediata saída do PMDB do governo, com a entrega dos cargos em todas as esferas do Poder Executivo Federal”. Quem contrariar a decisão, ficará sujeito à instauração de processo no Conselho de Ética do partido.

Embora a decisão seja de abandonar imediatamente os cargos ocupados pelos peemedebistas no governo, a cúpula partidária acenou em avaliar cada caso e até permitir uma saída gradual. “A partir de agora, o PMDB não autoriza ninguém a exercer, em nome do partido, nenhum cargo federal. Se, individualmente, alguém quiser tomar uma posição vai ter que avaliar o tipo de consequência, o tipo de postura para a sociedade”, disse Jucá. “Para bom entendedor meia palavra já basta, aqui nós demos hoje uma palavra inteira”.

PMDB rompe com o governo, afirma Geddel

  • Geddel disse que a saída do PMDB da base se dará por aclamação, e não por voto nominal - Foto: Rodrigo Aguiar l Ag. A TARDE
    Geddel disse que a saída do PMDB da base se dará por aclamação, e não por voto nominal
O secretário-geral do PMDB, o ex-ministro da Integração Geddel Vieira Lima (BA) dá como favas contadas que o partido decidirá, na reunião do diretório nacional marcada para esta terça-feira, 29, pelo rompimento com o governo Dilma Rousseff (PT).
Um dos primeiros peemedebistas a defender o desembarque do partido do governo, Geddel declarou ao A TARDE que o PMDB está unido nesta questão. "Não há divisão no partido. Pelo menos 80% dos filiados querem o rompimento já", disse o ex-ministro, frisando que, apesar de pressões por parte da presidente e de resistência de alguns ministros do PMDB, o desembarque será confirmado.
Por já ser uma unanimidade dentro do partido, Geddel, que também preside a sigla na Bahia, informou que a saída do PMDB da base se dará por aclamação, e não por voto nominal. Ficará selado, ainda, que o partido entregará todos os cargos até o próximo dia 12.  

Na manhã desta segunda, 28, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com seis dos sete ministros do PMDB, para tentar mantê-los à frente dos ministérios. Mas horas depois, ocorreu a primeira defecção. O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (RN), pediu demissão do cargo.

Na carta enviada à presidente, Alves diz que  "o momento nacional coloca agora o PMDB, o meu partido há 46 anos, diante do desafio maior de escolher o seu caminho, sob a presidência do meu companheiro de tantas lutas, Michel Temer".